De procurar links a receber respostas: como a IA está a mudar o SEO, o GEO e a visibilidade digital
A inteligência artificial já faz parte de muitas conversas no mundo empresarial. Falamos de automatização, produtividade, análise de dados, criação de conteúdos, apoio ao cliente ou eficiência interna.
No entanto, o seu impacto vai muito além da forma como trabalhamos dentro das organizações. A IA também está a mudar a forma como procuramos informação, comparamos opções e descobrimos empresas, fornecedores, tecnologias ou soluções.
Neste novo cenário, SEO e GEO começam a partilhar o mesmo objetivo: tornar os conteúdos visíveis, compreensíveis e úteis.
Durante anos, falar de posicionamento online significava, sobretudo, falar de motores de pesquisa tradicionais. As empresas trabalhavam o seu website, os conteúdos e as palavras-chave para aparecer quando um utilizador fazia uma pesquisa.
O percurso era relativamente simples: pesquisar, analisar os resultados, visitar várias páginas e comparar informação.
Hoje, esse percurso está a mudar.
Por exemplo, cada vez mais utilizadores fazem perguntas completas, pedem recomendações ou procuram comparações. Além disso, esperam receber respostas já organizadas.
Ao mesmo tempo, as ferramentas de inteligência artificial generativa e as novas experiências de pesquisa conseguem reunir diferentes fontes. Podem acrescentar contexto e apresentar critérios de comparação numa única resposta.
Como resultado, a perceção sobre uma marca pode começar a formar-se antes mesmo de o utilizador visitar o seu website.
Por isso, a visibilidade digital já não depende apenas de aparecer. Depende também de ser compreendido, citado e considerado fiável em ambientes cada vez mais mediados pela IA.
De aparecer no Google a ser compreendido pela IA
Uma análise da McKinsey & Company apresenta a pesquisa com IA como uma nova “porta de entrada” para a internet.
Segundo a consultora, cerca de metade dos consumidores já utiliza pesquisas impulsionadas por IA. Além disso, este tipo de pesquisa poderá influenciar 750 mil milhões de dólares de despesa dos consumidores nos Estados Unidos até 2028.
Embora estes dados estejam associados ao consumo, refletem uma tendência mais ampla. Este comportamento poderá também chegar aos ambientes B2B e aos setores técnicos.
Os utilizadores já não procuram apenas informação. Em vez disso, querem compreendê-la, compará-la e filtrar mais rapidamente aquilo que é relevante.
De facto, outra análise da McKinsey, publicada em 2026, indicava que 63% dos consumidores europeus já utiliza ferramentas de IA para comparar opções e conhecer melhor os produtos.
Este comportamento torna-se especialmente relevante em decisões complexas. O mesmo acontece quando existem muitas alternativas ou quando é necessário interpretar informação especializada.
Por conseguinte, nos setores científico, da saúde ou da biotecnologia, esta evolução pode ter um impacto significativo.
Quando alguém procura uma tecnologia, uma aplicação específica, um fornecedor ou uma solução técnica, encontrar um website já não é suficiente. É também necessário perceber qual é a opção mais adequada, que dados são fiáveis e que empresa transmite maior confiança.
A pergunta já não é apenas: “Aparecemos no Google?”
Começa também a ser: “Os nossos conteúdos podem ser compreendidos, avaliados e recomendados corretamente num ambiente mediado pela IA?”

O SEO não desaparece, evolui
Este cenário não significa que o SEO tradicional vá desaparecer.
Pelo contrário, um website claro, útil, bem estruturado e tecnicamente otimizado continua a ser essencial. O que está a mudar é a forma de conquistar visibilidade.
Além disso, a evolução de SEO e GEO reflete precisamente esta transformação.
A McKinsey alerta que as marcas que não se preparem poderão sofrer uma redução entre 20% e 50% no tráfego proveniente dos canais tradicionais de pesquisa.
A isto junta-se outra tendência: as pesquisas sem clique.
Segundo uma análise publicada pela Search Engine Land, baseada em dados da SparkToro e da Similarweb, 68,01% das pesquisas no Google nos Estados Unidos terminaram sem clique durante os primeiros meses de 2026.
Estes números não devem ser interpretados de forma alarmista. Na verdade, são sobretudo um sinal de mudança.
Cada vez mais utilizadores resolvem parte das suas dúvidas dentro do próprio ambiente de pesquisa. Assim, nem sempre precisam de visitar um website.
Com a IA, esta dinâmica pode tornar-se ainda mais relevante. Uma resposta gerada pode resumir conteúdos, comparar alternativas ou apresentar conclusões.
Por conseguinte, uma parte do processo de decisão pode acontecer antes do clique.
As visitas ao website continuam a ser importantes. No entanto, já não são o único indicador de visibilidade digital.
Também importa perceber como uma empresa aparece e em que contexto é mencionada. Além disso, as fontes que a sustentam e a coerência da sua presença digital podem ajudar a construir confiança antes do contacto direto.

Do SEO ao GEO: uma evolução natural
Neste contexto, fala-se cada vez mais de SEO e GEO.
GEO significa Generative Engine Optimization. Ou seja, otimização de conteúdos para motores generativos de inteligência artificial.
Embora o termo seja relativamente recente, a ideia é simples. Os conteúdos devem ser úteis, compreensíveis e fiáveis tanto para as pessoas como para os sistemas que os interpretam.
Nesse sentido, SEO e GEO partilham a mesma base: facilitar a descoberta, a compreensão e a utilização dos conteúdos.
A Google reforça também uma ideia importante nas suas recomendações sobre funcionalidades generativas, como AI Overviews e AI Mode. O objetivo não deve ser procurar “truques” específicos para a IA.
Em vez disso, a base continua a ser a criação de conteúdo útil, original, acessível e pensado para as pessoas.
Este ponto é essencial.
A resposta não deve passar por produzir automaticamente mais conteúdo. Pelo contrário, é preciso criar conteúdo melhor.
Isso significa mais clareza, melhor estrutura, maior precisão e um maior alinhamento com as perguntas reais dos utilizadores.
Por outras palavras, a IA não substitui uma boa estratégia de conteúdos. Torna-a ainda mais necessária.

Mais conteúdo nem sempre significa mais valor
Uma das grandes tentações da IA aplicada ao marketing é a possibilidade de produzir mais conteúdo, mais depressa e com menos esforço.
No entanto, publicar mais não significa necessariamente comunicar melhor.
Em 2026, a Gartner publicou um dado particularmente relevante. Segundo a empresa, 49% dos consumidores norte-americanos considera que a IA generativa piorou a qualidade do conteúdo disponível.
Esta perceção revela uma preocupação crescente.
De facto, a IA pode aumentar o volume de conteúdos. Contudo, não garante automaticamente maior utilidade, rigor ou credibilidade.
Para empresas dos setores científico, da saúde ou da biotecnologia, esta questão é especialmente importante.
A confiança não se constrói apenas através da presença digital. Depende também de rigor, clareza, atualização e conhecimento especializado.
Quando um utilizador procura uma solução técnica, precisa de informação precisa.
Quer compreender o que uma empresa oferece e em que áreas possui experiência. Além disso, precisa de saber que aplicações cobre uma determinada tecnologia e por que razão pode confiar na organização que está por detrás dessa solução.
Em ambientes altamente especializados, o conteúdo genérico dificilmente diferencia uma empresa.
O conteúdo útil, claro e fiável consegue fazê-lo.

A confiança como novo fator de posicionamento
A IA pode ajudar a automatizar tarefas, organizar dados e acelerar processos de decisão. No entanto, o seu impacto depende da forma como é integrada numa estratégia mais ampla.
O mesmo acontece com a comunicação digital.
Ao mesmo tempo, a pesquisa com IA pode aumentar a visibilidade de uma empresa e tornar mais evidentes algumas fragilidades.
Entre elas estão dados desatualizados, mensagens pouco consistentes ou conteúdos difíceis de verificar. A falta de clareza ou de fontes externas que sustentem a especialização de uma empresa também pode reduzir a sua credibilidade.
Por esta razão, uma estratégia digital não deve concentrar-se apenas no website corporativo.
As publicações técnicas, as notícias e a presença nos meios de comunicação também são importantes. Da mesma forma, a participação em eventos, as colaborações, as redes profissionais e as referências externas de qualidade contribuem para essa visibilidade.
Em conjunto, estes pontos de contacto ajudam a construir uma imagem coerente da organização.
Num ambiente em que a IA pode reunir informação proveniente de várias fontes, cada sinal conta.

Quanto mais claros e consistentes forem esses sinais, mais fácil será para pessoas e sistemas de IA compreenderem o que uma empresa faz e por que razão a sua experiência é relevante.
Não basta estar presente. É preciso ser compreensível.
Aparecer, por si só, também não é suficiente. É preciso ser fiável.
Por fim, criar conteúdo só faz sentido quando esse conteúdo acrescenta valor.

O que implica o SEO e o GEO para uma empresa técnica ou científica
Nos setores especializados, a comunicação digital apresenta um desafio adicional: transformar conhecimento técnico em mensagens claras sem perder rigor científico.
Isso implica criar conteúdos que respondam a perguntas reais.
Que tecnologia é utilizada?
Para que aplicações é mais adequada?
Que vantagens oferece?
Existem limitações relevantes?
Em que contexto acrescenta mais valor?
Por fim, que critérios podem ajudar a escolher uma solução em vez de outra?
Além disso, é fundamental manter a consistência.
Se uma empresa comunica de forma diferente no website, nas redes sociais, nos materiais comerciais ou nos conteúdos técnicos, será mais difícil compreender corretamente a sua proposta de valor.
O mesmo pode acontecer quando um sistema de IA interpreta essas fontes.
Por isso, trabalhar SEO e GEO significa também tornar o conhecimento especializado mais fácil de interpretar.
Em última análise, a IA não favorece necessariamente quem publica mais. Conteúdos claros, verificáveis e úteis têm maior valor.
E isso continua a exigir critério humano.

Comunicar com propósito na era da IA
Antes de aplicar inteligência artificial a qualquer processo, vale a pena colocar algumas questões.
O que precisamos de otimizar? Que tarefas consomem mais tempo? Que recursos não estamos a aproveitar? Onde podemos melhorar a experiência do utilizador?
A mesma lógica pode ser aplicada à comunicação digital.
Antes de publicar mais conteúdo, devemos perguntar:
O que precisa o nosso público de saber?
Que dúvidas podemos ajudar a esclarecer?
Como podemos tornar a nossa proposta de valor mais fácil de compreender?
Que tipo de conteúdo reforça a nossa credibilidade?
Por fim, que sinais ajudam a explicar quem somos e o que podemos acrescentar?
Desta forma, colocamos o critério antes da ferramenta.
Além disso, estas perguntas ajudam as empresas a evitar conteúdos repetitivos criados apenas para manter uma determinada frequência de publicação.
A IA pode libertar tempo em tarefas de pesquisa, organização e produção. No entanto, o conhecimento humano continua a ser o verdadeiro fator diferenciador.
No marketing e na comunicação, isso significa compreender o público, selecionar fontes fiáveis e explicar temas complexos de forma clara.
Em última análise, na Biomol acreditamos que a tecnologia só cria verdadeiro valor quando é utilizada com conhecimento, critério e propósito.
À medida que a inteligência artificial ganha importância na forma como acedemos à informação, comunicar com clareza tornar-se-á ainda mais relevante.
Neste cenário, SEO e GEO fazem parte da mesma evolução da visibilidade digital.
A IA não está apenas a mudar a forma como procuramos respostas.
Está também a mudar a forma como avaliamos opções e decidimos em quem confiar.

Fontes
Fonte principal
McKinsey & Company. New front door to the internet: Winning in the age of AI search.
Fontes de apoio
- McKinsey & Company. AI to browse but not to buy.
- Gartner. Gartner Survey Finds Only One-Third of Consumers Say GenAI Rivals Search Engines; Marketers Must Optimize for Both AI-Driven and Traditional Search.
- Gartner. Gartner Survey Finds 49% of U.S. Consumers Say GenAI Has Made Content Quality Worse.
- Google Search Central. Google’s Guide to Optimizing for Generative AI Features on Google Search.
- Search Engine Land. Google zero-click searches reach 68% in early 2026: Study.
